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Ciclo de debates cidades inclusivas para mulheres

cidades inclusivas para mulheres

Por Ana Araujo

A falta de estrutura e segurança nas cidades brasileiras afeta ainda mais as mulheres. São elas que enfrentam o assédio no transporte público, o risco de abordagens violentas e sexuais e que convivem com a ineficiência dos equipamentos públicos para realização de suas atividades cotidianas e da família. Para refletir sobre estas situações, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, em conjunto com a Bancada Feminina da Assembleia Legislativa de Santa Catarina promovem, no dia 12 de setembro, a partir das 14 horas no plenarinho, o 1º Ciclo de Debates Mulheres na Arquitetura – Cidades inclusivas para as mulheres. Inscreva-se aqui

Pensar as cidades a partir das necessidades de uso das mulheres é refletir sobre a infra-estrutura do espaço urbano, aponta a arquiteta e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Daniela Sarmento. O direito à habitação social também precisa ser observado da perspectiva feminina. O número de mulheres chefes de família saltou na última década, passando de 1 milhão em 2001 para 6,8 milhões, em 2015 conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) aponta ainda que 56,9% das mulheres que sustentam a casa e tem filhos de até 14 anos estão abaixo da linha da pobreza. Dentre estas, 64,4% das mães negras.

No Brasil, 5,5 milhões de brasileiros/as não têm o nome do pai no registro de nascimento, segundo Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2012, o que indica que as mulheres ainda são consideradas as principais cuidadoras. Por isso, considerar as demandas femininas na cidade é incluir também outros usuários, como crianças e idosos, afirma a arquiteta. “Quando uma mãe levar seu filho para uma atividade de lazer, precisa de uma estrutura que abrigue confortavelmente as crianças”, exemplifica. “A cidade precisa ser pensada para todos os tipos de mulheres. Estas demandas não implicam fazer uma cidade que exclua as necessidades dos outros cidadãos, mas convocam a uma nova percepção na construção da cidade contemporânea”, complementa a arquiteta.

Mulheres são maioria na Arquitetura e Urbanismo

O Ciclo de Debates Mulheres na Arquitetura – Cidades inclusivas para as mulheres ocorrerá em diversos estados brasileiros para consolidar uma política de equidade de gênero dentro do CAU e também a construção de cidades que atendam às necessidades das mulheres. Depois de Florianópolis, o evento acontece no estado do Sergipe, em 19 de setembro, e repete em Salvador, Porto Alegre, Rio Branco, Brasília, Fortaleza e São Paulo e Rio de Janeiro.

63,10% dos 105.420 inscritos/as nos Conselhos de Arquitetura e Urbanismo são do sexo feminino. Em Santa Catarina, este percentual sobe para 68%. As mulheres também são maioria entre as estudantes de arquitetura (67%) e na população de arquitetos/as com idade entre 20 e 25 anos (79%). Os dados apontam para um futuro majoritariamente feminino na profissão, o que também pode significar uma mudança na forma como a arquitetura e o urbanismo passam a conceber o espaço urbano.

As organizações representativas da categoria vem despertando para esta perspectiva. O CAU/SC criou a Câmara Temática Mulheres na Arquitetura. Em âmbito nacional, as arquitetas mobilizadas também provocaram a criação do Grupo de Trabalho de Mulheres dentro do Fórum dos Presidentes (que reúne as presidências dos CAU de todos os estados) e a Comissão Temporária de Equidade de Gênero do CAU/BR. 

Para além de fomentar maior representatividade profissional, a partir da potencialidade da arquitetura e urbanismo, as arquitetas desejam contribuir para alertar sobre a necessidade de construção de um modelo de cidade mais inclusivo. “A cidade sempre foi pensada a partir de um sujeito universal. Ela é desenhada para o fluxo dos homens, em idade média, no auge de sua capacidade produtiva, com trabalho estável e bem remunerado que lhe permite ter carro, deixando as demandas das mulheres, jovens, idosos, crianças e deficientes físicos à margem das prioridades do investimento público”, explica a presidente do CAU/SC, Daniela Sarmento.

A ação está em sintonia com o Plano de Gestão do CAU/SC que tem suas metas integradas à agenda internacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Ela contempla o ODS 5  -Igualdade de Gênero (Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas) e o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis (Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis), do qual o CAU/SC é apoiador oficial junto ao Movimento ODS Santa Catarina.


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