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Foto: Acervo da Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina

As fortalezas Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, ambas em ilhas ao norte de Florianópolis, podem se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). As edificações não concorrem individualmente, e sim através do Conjunto de Fortificações no Brasil, nomeado para a Lista Indicativa Brasileira à Patrimônio Mundial. É a primeira vez que o Brasil indica um bem seriado, ou seja, em conjunto, para a candidatura.

A expectativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é que a definição venha em 2022, no bicentenário da Independência do Brasil. Desde 2015, ano em que houve a nomeação, as fortificações estão recebendo aprimoramentos, levando em consideração recomendações da UNESCO. Somente quando todos os critérios forem cumpridos é que as entidades encarregadas apresentarão o bem seriado às considerações da ONU.

Cada estado possui um comitê de candidatura responsável por executar tais recomendações. Em Santa Catarina, o órgão é presidido pelo IPHAN, com participação da Coordenadoria de Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (setor vinculado à Secretaria de Cultura e Artes SeCArte da UFSC), da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entre outros.

A pluralidade de participantes no comitê é essencial, uma vez que a UNESCO busca patrimônios com responsabilidade compartilhada e participativa, além de envolvimento da sociedade, capacidade acolhida e valorização do patrimônio enquanto vetor de desenvolvimento.

No caso das fortalezas de Santa Catarina, a principal melhoria deve ser no acesso, já que ambas as indicadas se localizam em ilhas. Para chegar até as fortificações, é preciso contratar um serviço de escunas particular, prestado por empresas de transporte náutico da região. Na maioria das vezes, o tempo máximo de visitação permitido para o público geral é de 45 minutos. Liliane Nizzola, superintendente do IPHAN em Santa Catarina, afirma que o órgão está em busca da extensão do acesso:  “Estamos trabalhando para ampliar os horários de passeio, implantar novos trapiches nas ilhas e democratizar o acesso as fortificações”. Roberto Tonera, arquiteto e urbanista responsável pela divisão de restauração das fortificações na UFSC, também avalia que há necessidade de transporte público marítimo.

“A questão do acesso às fortalezas é essencial para garantir o sucesso da indicação e a apreensão de todos os conteúdos das ilhas pelos visitantes. Hoje, as escunas que levam permitem somente 45 minutos de visitação em Anhatomirim, por exemplo. Isso, a UNESCO apontará como uma deficiência grave”, afirma Roberto Tonera.

Mais sobre as fortificações brasileiras

Fazem parte do Conjunto de Fortificações indicado 19 construções dos séculos XVI a XIX, espalhadas por dez estados brasileiros. Além das catarinenses, únicas representantes da região Sul, integram a nomeação duas fortalezas no Norte brasileiro, uma no Centro-oeste, quatro no Sudeste e dez no Nordeste.

As fortalezas em Florianópolis e Governador Celso Ramos – Ratones, São José da Ponta Grossa e Anhatomirim – foram levantadas em 1839 pela coroa real portuguesa, que buscava proteção de possíveis invasões espanholas. As três construções militares foram estrategicamente posicionadas para servirem como um triângulo de defesa da baía norte da cidade. Entretanto, a fortificação de São José da Ponta Grossa não foi selecionada para integrar o Conjunto por decisão logística do IPHAN, que optou por indicar as que o órgão considerava “mais emblemáticas e representativas”, segundo Liliane Nizzola. A fortaleza ainda pode ser adicionada à lista, se a UNESCO assim recomendar.

As edificações já haviam sido tombadas como Patrimônio Histórico Nacional há mais de oitenta anos. Por isso, a preservação delas está sob os cuidados do IPHAN. Já a administração, gerenciamento e manutenção é responsabilidade da Coordenadoria de Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, setor da UFSC. A gestão também administra o Projeto Fortalezas Multimídia, que permite visitas virtuais aos patrimônios catarinenses.


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