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Vanessa Maria Pereira | Foto: Diene Gomez – CAU/SC
Alexandra Demenighi e Camila Dix | Foto: Dieine Gomez-CAU/SC

Os centros históricos são territórios complexos, cenários onde ora dialogam, ora contrastam interesses culturais e econômicos. Intervir sobre estes espaços é um desafio tanto para o poder público e quanto para quem vive nele ou se dedica a pensar o uso destes espaços. Nesta quarta-feira, 5 de junho, arquitetos e arquitetas que refletem sobre estes temas nas Comissões de Políticas Urbanas e Ambientais dos Conselhos de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, além do CAU/BR, estenderam o debate à sociedade durante o Encontro da CPUA-Sul.

 

A mesa “As realidades da Renovação Urbana”, realizada na parte da tarde, procurou ampliar o retrato da preservação do patrimônio e a sua intersecção com iniciativas de reurbanização. Nela, técnicos/as que atuam sobre estas questões em cidades importantes da região Sul falaram sobre o histórico e o cenário de preservação de edificações, experiências de reurbanização e estratégias de ocupação.

Tiago Holzmann da Silva | Foto: Dieine Gomez
Anne Lise Soto | Foto: Dieine Gomez-CAU/SC

 

Convidada para mediar o debate, a arquiteta Vanessa Maria Pereira, consultora do IPHAN e da Unesco, abriu o debate falando sobre as tensões entre a renovação urbana e a preservação do patrimônio. “Foi um entendimento dos arquitetos por muito tempo que preservação do é impedimento do desenvolvimento. Hoje se entende que o patrimônio pode fazer parte da vida urbana a partir de novos olhares, que tem potencial de desenvolvimento urbano e também econômico. Mas para ser sustentável, precisa se pautar na valorização do local, das pessoas, das práticas”, disse a arquiteta.

Foram relatadas as experiências dos municípios de Joinville, pela arquiteta Anne Lise Soto; de Blumenau, pelas técnicas Alexandra Demenighi e Camila Dix; de Lages, pelo arquiteto Fabiano Teixeira dos Santos (UNIPLAC); Florianópolis, pelo professor Elson Pereira (UFSC); e Porto Alegre, pelo presidente do CAU/RS,  Tiago Holzmann da Silva.

Karol Carminatti | Foto: Dieine Gomez-CAU/SC
Elson Pereira | Foto: Dieine Gomez – CAU/SC

 

.:. Assista aos debates na íntegra nos links da transmissão na nossa fanpage .:. Parte 1 .:. Parte 2 .:.

 

O aprofundamento sobre os debates relacionados aos cenários complexos que são os centros históricos é uma provocação da CPUA-CAU/SC e também da Câmara Temática de Estudos Urbanos.

Na mesa de abertura, a presidente Daniela Sarmento destacou que eventos deste caráter respondem a um desafio a que a atual gestão do CAU/SC se propõe: a construção de espaços efetivos para estruturar o pensamento e a contribuição dos arquitetos e urbanistas sobre temas latentes. “Queremos elevar o conteúdo da arquitetura em vários formatos e ampliar o debate com a sociedade”, afirmou a presidente.

“Queremos elevar o conteúdo da arquitetura em vários formatos e ampliar o debate com a sociedade”, afirmou Daniela Pareja | Foto: Dieine Gomez
Fabiano Teixeira dos Santos | Foto: Dieine Gomez-CAU/SC

Em seguida, o debate “Análise de Territórios complexos: Renovação urbana de áreas centrais históricas” encerrou as atividades do Encontro da CPUA-Sul. A programação, que começou ainda no dia 4 de junho, com as reuniões da CPUA-CAU/BR e das CPUAs da região sul na sede do CAU/SC, também conduziu os participantes por uma visita à região leste do centro de Florianópolis durante a Caminhada Jane Jacobs. Confira a cobertura que fizemos no Instagram

O Encontro da CPUA-Sul faz parte da agenda da CPUA Itinerante, iniciativa da CPUA-CAU/BR que pretende percorrer as regiões do país para reconhecer a realidade da preservação do patrimônio histórico nas cidades brasileiras. No CAU/SC, é promovido pela CPUA-CAU/SC e Câmara Temática Cidade Patrimônio de Todos. A coordenadora da CPUA do CAU/BR, Josélia Alves, explica que a proposta da CPUA Itinerante partiu da necessidade de reconhecer e discutir os problemas e dificuldades nas próprias regiões. “Não podemos ficar isolados e pensar que estamos sozinhos à frente de projetos tão complexos. Precisamos adotar esta forma de trabalho como metodologia pra se trabalhar territórios”, afirmou.

 

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