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Movimento Traços Urbanos busca contribuir com a cidade

Em entrevista, o vice-presidente do CAU/SC, Giovani Bonetti, fala sobre como surgiu a ideia do Traços Urbanos e sobre temas importantes nas discussões que envolvem o futuro das nossas cidades.

Criado para contribuir com ideias que requalifiquem os espaços públicos, o Movimento Traços Urbanos quer estimular a participação popular na discussão sobre o modelo de cidade a ser perseguido por sociedade civil e poder público. Inicialmente, o grupo multidisciplinar focou na área leste da Praça 15 – batizada de distrito criativo – que recebeu no fim de semana palestras, debates e oficinas, como a ministrada por Simone Sayegh, cofundadora da Pistache Editorial, que propõe a difusão do conhecimento da técnica e dos aspectos sociais da arquitetura. Nesta entrevista, o vice-presidente do CAU/SC, Giovani Bonetti, fala sobre como surgiu a ideia do Traços Urbanos e sobre temas importantes nas discussões que envolvem o futuro das nossas cidades.

Como surgiu o Traços Urbanos e onde vocês querem chegar com a iniciativa?

Surgiu da angústia de alguns arquitetos em função do que está acontecendo com o Plano Diretor. Não encontrávamos um modelo de cidade dentro das discussões sobre o projeto e começamos a fazer encontros e oficinas pensando como poderíamos dar uma contribuição para a melhoria de Florianópolis. E achamos que poderíamos trabalhar com um tema específico, a qualificação dos espaços urbanos, que desdobra para muitos outros. É um movimento de pessoas, e não de entidades. Hoje a nossa base é a região leste da Praça 15, que chamamos de distrito criativo. E é bom reforçar que em momento algum estamos querendo ocupar o espaço do poder público. A ideia é, como um movimento cidadão, contribuir para a qualidade de vida da cidade, com ideias e propostas.

A ideia, então, é fazer com que as pessoas participem mais da discussão sobre os espaços urbanos?

Exatamente, que sejam parte desse processo. Porque as ferramentas utilizadas por algumas instituições, entidades ou pelo poder público não dão resultado no sentido de que sempre existe um conflito de interesses. Estamos aprendendo, tateando nesse sentido, para termos um novo modelo de interação entre todos os interesses: do coletivo, dos moradores, dos comerciantes, etc.

E por quê a escolha dessa região específica, próxima à praça 15 de Novembro, para início das discussões?

Percebemos que não poderíamos dar uma abrangência muito grande porque ficaria superficial e fomos dando um zoom para que o resultado fosse efetivo. E naquela região já estão acontecendo algumas coisas – como o Sapiens, a revitalização de museus, a feirinha de antiguidades – que vão dando potencial para esse trabalho. E também identificamos alguns pequenos espaços públicos não muito difíceis de revitalização.

Por quê é comum os centros urbanos, especialmente das cidades maiores, ficarem abandonados e degradados?

É uma questão de políticas públicas. Para que uma cidade seja ativa, ela tem que ter multifuncionalidade, comércio, serviços, moradia. Se não forem muito bem estudadas e articuladas, as ações do poder público podem tirar do eixo, digamos assim, algumas regiões. O Plano Diretor trata de um planejamento estratégico. Determina o futuro que uma cidade vai ter, potencializando algumas áreas. Grandes transformações urbanas nos centros das cidades aconteceram justamente quando o poder público entendeu isso e criou algumas ferramentas de gestão para que isso pudesse ser revertido. Um caso clássico é Melbourne (Austrália), que estava com o centro degradado e hoje é um exemplo positivo. Porque potencializou serviços, comércio e moradias, o que deu uma dinâmica e recuperou a cidade. Eles começaram a ver onde estava o maior desequilíbrio. Trouxeram o habitante para o centro de novo.

Mas não estamos falando só de uma cidade mais bonita e sim de um conceito mais abrangente?

Sim, bem mais. É a cidade para as pessoas. Que a gente tenha uma cidade amigável para quem usufrui dela.
Como é o desafio de fazer com que a cidade, heterogênea, seja boa para todas as classes e para os turistas?
Num país como o nosso, com grandes desníveis, isso é muito difícil. Um grande desafio. E a cidade é boa para o turista quando ela é boa para o cidadão. Não adianta fazer uma produção de cidade que não seja verdadeira. A cidade tem que ser democrática. O que a gente busca é uma convergência.


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