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12/02/2026ㅤ Publicado às 19:09

Em entrevista concedida ao telejornal NSC Notícias, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC), Carlos Alberto Barbosa de Souza, alerta sobre as chamadas “ilhas de calor”, fenômeno que se acentua em áreas menos arborizadas e cercadas por concreto.

 

O avanço desenfreado do asfalto sobre as áreas verdes têm transformado drasticamente o clima das cidades catarinenses. Em Florianópolis e nos grandes centros urbanos de Santa Catarina, a verticalização e o adensamento sem o acompanhamento de um plano de arborização eficaz geram o fenômeno das “ilhas de calor”, que aumentam a possibilidade de desastres naturais, como ciclones, temporais intensos, enchentes e deslizamentos, que acabam penalizando, principalmente, as populações mais vulneráveis do Estado.

 

O CAU/SC vem atuando neste tema com a Câmara Temática de Habitação e Estudos da Dimensão Ecológica da Arquitetura e do Urbanismo. Um documento com artigos relacionados ao tema, de autoria dos arquitetos e urbanistas que integram esta Câmara, foi apresentado na COP30, dentro da programação do CAU/BR no evento.

 

Os profissionais alertam que mais do que estética para as cidades, a arborização urbana é uma infraestrutura essencial para a saúde pública e a segurança climática, visto que a vegetação nas cidades e centros urbanos contribui diretamente para reduzir as temperaturas elevadas, decorrentes do excesso de absorção de calor pelo asfalto, cimento e concreto.

 

Cidades com maior presença de árvores sofrem menos com alagamentos e enxurradas, e isso ocorre porque o solo vegetado é permeável, funcionando como uma esponja que absorve a água da chuva e evita a sobrecarga dos sistemas de drenagem urbana. De acordo com o Censo 2022, em informações divulgadas pelo g1, Santa Catarina possui 33,7% das vias urbanas classificadas como sem arborização e 58,8% arborizadas. Já nas regiões vulneráveis de Santa Catarina, somente 22,9% das moradias em favelas ficam em ruas com árvores, sendo este o menor percentual do Brasil.

 

Esta disparidade acentua a segregação urbana, considerando que territórios periféricos convivem com pouca infraestrutura, saneamento precário e falta de políticas públicas ambientais assertivas. Enquanto setores planejados preservam jardins e recuos, as zonas vulneráveis sofrem com o estresse térmico, maior gasto com energia elétrica e riscos agravados à saúde mental e respiratória.

 

O CAU/SC reforça que o papel do arquiteto e urbanista é fundamental para reverter este quadro urbano-climático, através da formulação e execução de projetos que baseiam-se em políticas públicas sustentáveis, tanto no cuidado com os centros urbanos quanto nas periferias brasileiras.

 

Confira a matéria completa no canal do CAU/SC no YouTube.