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Arquitetura Indígena: simplicidade, sustentabilidade e rica fonte de aprendizado

Há controvérsias em relação a comemoração do dia do índio. Trabalhar com essa data nos desvencilhando dos tantos estereótipos criados ao longo dos anos, é tarefa desafiadora aos que não se contentam em relação a valorização superficial das manifestações multiculturais. No dia de hoje, cada segmento da sociedade poderia dar voz a uma espécie de retratação pela ausência de conhecimento e pela troca de experiências há muito negligenciada. Puxando para a nossa realidade, quando observamos a arquitetura indígena somos convidados a reparar uma simplicidade que inspira e que, ao mesmo tempo, constrange. Técnica, tradição, valorização do coletivo, sustentabilidade. Há muitas etnias indígenas e, para cada uma, uma forma de habitar.

 

A integração com a natureza da arquitetura indígena é o nosso chamado à reflexão sobre o que temos feito nas nossas cidades. A arquitetura é quase toda fechada porque, num conceito profundamente filosófico, a vida acontece a maior parte do tempo do lado de fora. É sustentável por concepção, pois está sempre de acordo com os materiais disponíveis e diretamente relacionado com o clima do local. Um item importante na organização das aldeias são as praças ou pátios, localizado geralmente ao centro, seja dentro de uma maloca ou rodeado por ocas. As malocas e ocas podem ser circulares, que é a forma mais comum, ou retangulares e geralmente são feitas de madeiras, fibras, folhas e cipós. As construções, que se repetem de geração em geração em técnica e forma, seguem o ritmo da vida na aldeia, com as cores da em harmonia com todo o ambiente que as cerca.  Sim: mais do que comemorar um dia vale, para nós, refletir sobre todos os outros.

 

*Agradecimentos a contribuição prestimosa do antropólogo e historiador, Manoel Collares.


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