Publicado em

Uruguaia de nascimento, Silvya Caprario cresceu e construiu sua vida no Brasil. No início dos anos 90, concluiu o curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSC e fez o caminho inverso da maioria dos/as profissionais recém-formados/as: decidiu abraçar o desafio de começar a carreira no interior do estado.

Mudou-se para Catanduvas, no meio oeste de Santa Catarina, onde colaborou com projetos de urbanismo da prefeitura e projetou edificações para diversas cidades da região, como Joaçaba, Concórdia, Piratuba e Presidente Castelo Branco. Nestes locais, projetou tanto residências de alto padrão quanto habitações sociais, oferecendo suporte para pessoas que buscavam financiamentos populares.

Depois de sete anos, decidiu retornar a Florianópolis, onde recomeçou a carreira, desta vez na arquitetura de interiores. “Tive um pouco de resistência no começo, mas depois me dei conta de que arquitetura é atender tudo e a todos. Fazer o que eu gosto mas sempre melhorando a vida das pessoas. Acho que todo arquiteto tem que fazer isso, pensar em si e também no seu redor”, afirma. De lá para cá, aprimorou-se na área e participou de dez mostras de arquitetura.

Em paralelo, Silvya Caprario também equilibra outro desafio pessoal. Ela é portadora de visão monocular desde os dois anos de idade, quando perdeu mais de 90% da visão de um olho após um acidente doméstico. Os tratamentos e intervenções cirúrgicas acompanharam toda a sua infância e adolescência. Para viver todas as escolhas pessoais e profissionais, só havia uma possibilidade: a superação. “Talvez eu pudesse buscar caminhos mais fáceis, mas eu sempre gostei de desafios”, conta a arquiteta.

Unindo a formação profissional e o ativismo em torno das necessidades das pessoas com deficiência visual, Silvya ajudou a fundar a Associação de Pessoas com Deficiência Visual em Santa Catarina (APDVISC). “Achei que podia usar o conhecimento que eu tenho pra ajudar a pavimentar o caminho para pessoas que precisam”, afirma.

A agenda da arquiteta se divide entre o trabalho, as ações da associação e os compromissos do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Silvya é conselheira do CAU/SC, onde participa das comissões de Organização, Administração e Finanças (COAF), de Políticas Urbanas e Ambiental (CPUA) e da Comissão Temporária de Patrimônio (CTP). Recentemente, também assumiu a coordenação de um novo espaço: a Câmara Temática de Acessibilidade, onde consegue integrar a expertise e a militância profissional e também o ativismo social pela população com deficiência.

A participação ativa na sociedade também é uma forma de lutar pelos direitos das mulheres. “Se somos maioria, precisamos ter uma representação maior”, afirma. “No mundo todo, as mulheres estão começando a despertar pra resgatar um espaço que já devia ser delas”, acredita a arquiteta.

Silvya Caprario foi uma das arquitetas indicadas pela enquete do CAU/SC para relatar sua trajetória na arquitetura neste Dia Internacional da Mulher

.:. Leia também .:. Maria Del Pilar Carlevaro: a missão de fazer viver a Arquitetura

.:. Leia também .:. Ariane Rosa e a arquitetura para transformar vidas

.:. Leia também .:. A cidade democrática de Marília Ruschel


Deixe seu comentário