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No dia do Patrimônio Histórico Social, 17 de agosto, o CAU/SC resgata quinze exemplares de edificações e locais de memória perdidos em Santa Catarina. O conteúdo foi produzido colaborativamente com a participação de arquitetos e urbanistas, especialmente participantes da Câmara Temática Cidades, Patrimônio de Todos. Dezenas de fotos e informações chegaram até a equipe de comunicação. O conteúdo ajudará a compor um pequeno inventário da história arquitetônica e cultural de Santa Catarina.

Participaram da produção deste material as arquitetas e arquitetos Suzane Albers Araujo, Anne Soto, Priscila Chamone Gesser, Fabiano Teixeira dos Santos, Andrigo Borges, Suzana de Souza, Vanessa Pereira, Antonio Couto e Fátima Regina Althoff.

 

Casa Zipser – Florianópolis
Projetada pelo arquiteto Hans Broos, austríaco radicado no Brasil e autor de algumas das mais importantes obras do país no período moderno, a Casa Zipser data de 1959. A residência unifamiliar foi construída na rua Barão de Batovi, centro da capital, onde há alguns anos ergueu-se um condomínio residencial.

 

Antiga residência de Helmuth Von Gehlen – Joinville
Foi construída em 1945 e projetada pelo arquiteto Paul Hellmuth Keller, formado pela Saechsische Staatsbauschule fuer Hochbau in Chemnitz. A edificação estava em processo de tombamento municipal por possuir relevância histórica e arquitetônica, com embasamento técnico exposto em laudo pericial. Foi demolida recentemente, após autorização do Conselho Municipal da Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município (COMPHAAN).

 

Escola Aristiliano Ramos – Lages
Marco da Educação em SC, abrigou por décadas a antiga Escola Normal, um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino de Lages. Significativo exemplar de arquitetura institucional de caráter racionalista e moderno, representou a chegada a Lages da vanguarda no que tange aos estabelecimentos educacionais.

 

Casa Luso-brasileira – Jaguaruna
Residência rural luso-brasileira (c. 1910) na Estrada Municipal JAU-054, localidade de Retiro, Jaguaruna. A casa segue abandonada, em estado de arruinamento.
Foto e colaboração: Arquiteto e historiador Fabiano Teixeira dos Santos

 

Hotel La Porta – Florianópolis

O La Porta era o principal empreendimento hoteleiro anos 1940 e 1950 na capital catarinense. De arquitetura historicista, se localizava na praça Fernando Machado, com vista para a Baía Sul e o pé direito na Praça XV, esquina com a rua Conselheiro Mafra. Virou agência da Caixa Econômica Federal e durante uma reforma, nos anos 90, sofreu uma implosão. “O prédio anteriormente ocupado pelo Hotel La Porta no ano de 1932, de projeto dos Engenheiros Irmãos Corsini e do arquiteto Augusto Hubel foi o primeiro edifício estritamente comercial, simbolizando o turismo. Apresentou em seu projeto o primeiro elevador do estado, marcando o início da verticalização da cidade”, afirma a arquiteta Priscila Chamone Gesser.  (Com informações do jornalista Sérgio da Costa Ramos)

Miramar – Florianópolis

O antigo Trapiche Municipal foi contruído em 1935 e demolido em 1974, vítima do aterro da Ilha de Florianópolis. “O aterro alterou a dinâmica do comércio na orla central, iniciando-se transformações urbanas no Centro Histórico, que perdeu sua identidade litorânea pelo seu gradativo afastamento do mar”, escreveu o Professor Titular do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Juan Antonio Zapatel Pereira de Araujo. Junto ao antigo cais, abaixo da Praça XV, onde hoje se ergue um memorial, havia o bar e restaurante Miramar. “O seu caráter determinado pelo espaço do bar e restaurante Miramar influenciava os frequentadores no seu jeito de ser, de trajar, de ver e de ser visto como ponto de visibilidade social”, pesquisou a arquiteta Priscila Chamone Gesser. Com informações dos jornalistas Adolfo Zigelli e Carlos Damião

 

Palácio do Congresso – Florianópolis

O antigo prédio que abrigava a Assembleia Legislativa do estado, na Rua Arcipreste Paiva, imediações da praça Santos Dumont, foi construído em 1910. Tinha uma arquitetura caracterizada como de uso público e foi destruída por um incêndio no dia 17 de maio de 1956. O episódio permanece envolto em mistério, segundo o jornalista Carlos Damião. Em seu lugar, existe hoje uma sede bancária.

Fonte: Assembleia Legislativa de Santa Catarina

 

Aterro da Baía Sul 

O projeto original do Parque Metropolitano Dias Velho, mais conhecido como aterro da Baía Sul, foi assinado pelo arquiteto Roberto Burle Marx em 1978, mas teve seu desenho original “arruinado, desdenhado e alijado pela paisagem natural”, nas palavras da arquiteta Priscila Chamone Gesser. A área de 32 mil metros quadrados tinha proposta de compor uma área de socialização e uso público. “Era para ser o nosso grande parque central, mas oscila para o signo dissonante”, afirma a arquiteta. 

 

Edifício Mussi – Florianópolis

Edifício multifamiliar representativo da arquitetura moderna, projetado por Moelmann & Ráu, em 1957. Marco do processo de verticalização da capital, foi um dos primeiros edifícios de apartamentos do centro da cidade e tinha arquitetura oscilante entre moderna e tradicional, segundo a arquiteta Priscila Chamone Gesser. Foi demolido em 2010, contrariando orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que se erguia em APC (Área de Preservação Cultural), na Rua Nereu Ramos, cercado por outras edificações históricas. 

 

Ilha do Carvão – Florianópolis

Também conhecida como Ilha dos Ratos, a pequena ilha era utilizada para receber cargas de carvão. O sistema de transporte marítimo abastecia-se das caldeiras dos navios a vapor pelo carvão que ficava estocado nesta pequena ilha. Fazia parte da paisagem local, compondo uma linha reta que começava no cais Rita Maria e terminava no pico do Cambirela, em Palhoça. A ilha desapareceu em decorrência do assoreamento das baías. Dela, restaram rochas remanescentes que serviram de base para um dos pilares da ponte Colombo Salles.

 

 

Ponte Hercílio Luz – Florianópolis

Inaugurada em 13 de maio de 1926 para se tornar a primeira ligação terrestre entre as regiões insular e continental da capital do estado, é o principal ícone da leitura da linguagem urbana da capital. A ponte foi interditada por má conservação em 1991 e tombada como patrimônio histórico no ano seguinte. A obra prossegue até hoje e, até março de 2016 já havia consumido mais de 500 milhões de reais gastos, com previsão de mais 500 milhões.

 

Forte de São Luís da Praia de Fora – Florianópolis

O Forte de São Luís compunha o sistema de defesa da ilha de Desterro, complementando o tripé com o Forte Santana, junto ao pilar insular da Ponte Hercílio Luz e o Forte São Francisco Xavier, ao final da rua Esteves Junior, erguidos entre 1761 e 1765. Foi demolido em 1805, restando o terreno de propriedade do exército,  junto à atual Avenida Beira Mar Norte. A área foi recentemente cedida à prefeitura municipal

 

Fábrica de bebidas Mayerle Boonekamp – Joinville

Exemplar de patrimônio industrial, foi demolido com autorização da Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município (COMPHAAN) para dar lugar a um supermercado. Local da fabricação do Bitter Mayerle Boonekamp, bebida tradicional criada em 1892 e que parou de ser produzida. Não há qualquer menção ou testemunho histórico no local, segundo a arquiteta Anne Sotto.

 

Antigo Hotel Cruzeiro – Jaraguá do Sul

Era parte integrante do Conjunto Arquitetônico da Rua Marechal Deodoro da Fonseca. Marcava o início do Conjunto Arquitetônico do Comércio. Foi demolido em 2017.

 

Residência Enxaimel mais antiga da Cidade – Jaraguá do Sul

Parte integrante do Inventário do Patrimônio Arquitetônico de Jaraguá do Sul. Datada de 1922, era um autêntico exemplar Enxaimel da cidade. De propriedade da Indústria WEG, que solicitou a sua retirada do local, ainda que a mesma estivesse inserida na proposta de Revitalização para a criação do “Parque Linear Municipal”. Devido a fragilidade desse testemunho cultural, vencido pela prepotência dos administradores da cidade, esse belíssimo exemplar foi retirado para dar espaço para um depósito de contêineres, a partir de 2006.

 

 

 

*Fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo é uma das metas do ODS 11/ONU: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

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